Éden Group Investing

Guia técnico · Requerimento de Pesquisa Mineral

Como abrir um processo de pesquisa mineral na ANM: passo a passo completo

Em 2025, foram protocolados 9.319 requerimentos de pesquisa mineral no Brasil, 81% a mais só entre o 1º e o 4º trimestre. Este guia explica, etapa por etapa, o que a ANM exige para conceder um alvará de pesquisa, quanto custa oficialmente e quanto tempo o processo costuma levar.

Por Éden Group InvestingAtualizado em setembro de 2026Leitura de 9 min

Autorização de pesquisa x lavra garimpeira

A ANM opera dois regimes distintos, e o primeiro passo é saber em qual sua situação se encaixa. A Autorização de Pesquisa é o caminho padrão para quase toda substância mineral: exige um plano de pesquisa técnico detalhado, com cronograma e orçamento das atividades futuras, elaborado por profissional habilitado. A Permissão de Lavra Garimpeira (PLG), voltada a determinadas substâncias e perfis de operação em pequena escala, tem exigência documental mais simples e não exige o plano de pesquisa detalhado, mas ainda assim depende de responsabilidade técnica formal.

Esse guia cobre o fluxo da Autorização de Pesquisa, por ser o regime mais comum entre quem está formalizando uma área pela primeira vez.

Passo a passo até o alvará

São nove etapas, da checagem inicial até a publicação do alvará no Diário Oficial da União. As quatro primeiras dependem só de organização; as demais dependem também da análise da ANM.

  1. 01

    Verificação de área livre

    Consulta ao sistema da ANM (SIGMINE / Cadastro Mineiro) para confirmar que a área pretendida não está sobreposta a um processo já existente. É a etapa que mais evita perda de tempo e dinheiro: grande parte dos indeferimentos vem de sobreposição não verificada antes do protocolo.

    Controle do requerente
  2. 02

    Contratação do profissional técnico responsável

    Geólogo, engenheiro de minas ou engenheiro geólogo com registro ativo no CREA. É obrigatório: só esse profissional pode emitir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) exigida pela ANM.

    Exigência legal
  3. 03

    Elaboração do memorial descritivo e do plano de pesquisa

    O plano de pesquisa é prospectivo: descreve as atividades futuras e o orçamento previsto, construído a partir de dados de mapas geológicos (CPRM), imagens de satélite e geologia regional. Não exige visita prévia ao local, embora uma visita técnica agregue precisão.

    Time técnico
  4. 04

    Reunião da documentação pessoal

    CPF, comprovante de nacionalidade e demais documentos exigidos conforme o requerente seja pessoa física ou jurídica.

    Controle do requerente
  5. 05

    Pagamento do emolumento

    O boleto do emolumento de requerimento precisa ser gerado e pago antes do protocolo. Um requerimento protocolado sem esse pagamento já nasce em desconformidade e é indeferido.

    Taxa obrigatória
  6. 06

    Protocolo do requerimento

    Submissão formal junto à ANM, reunindo memorial descritivo, plano de pesquisa, ART e documentação pessoal num único requerimento.

    Controle do requerente
  7. 07

    Análise da ANM

    A ANM verifica prioridade de área através do Formulário de Análise do Direito de Prioridade, checando conflitos com processos vizinhos. Havendo pendência, é aberta uma exigência para correção, o que estende o prazo.

    Fora do controle do requerente
  8. 08

    Outorga do alvará de pesquisa

    Aprovado o requerimento, o alvará é concedido e publicado no Diário Oficial da União: é esse ato que formaliza o direito de pesquisa sobre a área.

    Fora do controle do requerente
  9. 09

    Obrigações pós-alvará

    A partir da publicação, o titular tem 60 dias para iniciar os trabalhos de pesquisa (art. 29 do Código de Minas) e deve cumprir a comunicação de início de pesquisa dentro do prazo definido pela ANM.

    Prazo legal

Quanto custa (valores oficiais 2026)

Desde março de 2026, sob a Resolução ANM nº 230/2026, os valores oficiais são estes:

ValorDetalhe
Emolumento de requerimentoR$ 1.352,54Fixo, pago uma única vez, antes do protocolo
TAH — vigência originalR$ 4,94 / ha / anoDevida na outorga e a cada novo ano de vigência
TAH — prorrogaçãoR$ 7,41 / ha / anoCaso o alvará precise ser prorrogado
Exemplo prático. Uma área de 500 hectares gera, no primeiro ano: R$ 1.352,54 de emolumento + R$ 2.470,00 de TAH (4,94 × 500) = R$ 3.822,54 em taxas oficiais, repassadas integralmente à ANM.

A esses valores soma-se o custo do profissional técnico (elaboração de ART, memorial descritivo e plano de pesquisa), que varia por região, tamanho da área e complexidade do projeto, e o custo de uma assessoria especializada, caso o requerente prefira não conduzir o processo sozinho.

Quanto tempo demora

O prazo se divide em duas partes bem diferentes. A primeira, verificação de área, contratação do técnico, elaboração dos documentos, está sob controle de quem está abrindo o processo, e costuma levar entre 1 e 3 semanas quando conduzida de forma organizada.

A segunda parte é a análise da própria ANM, que está fora do controle do requerente. Em processos sem conflito de área, o tempo observado entre o protocolo completo e a outorga do alvará tem ficado entre 5 semanas e cerca de 2 meses e meio. Havendo sobreposição de área ou exigência da ANM, esse prazo pode se estender para 6 meses, um ano, ou mais: há processos com décadas em aberto por conflitos não resolvidos.

Esses intervalos refletem casos reais acompanhados, não um prazo legal ou uma garantia da ANM: o órgão não publica um SLA oficial de análise. As únicas datas fixas por lei são as que recaem sobre o titular depois da outorga: os 60 dias para iniciar os trabalhos (art. 29) e o prazo de comunicação de início de pesquisa.

Erros que levam ao indeferimento

  • Sobreposição de área não verificada. Protocolar sobre uma área com prioridade de processo anterior tende a ser recomendado para indeferimento na análise da ANM, salvo anuência formal do titular anterior.

  • Emolumento não pago antes do protocolo. O requerimento entra em desconformidade documental automaticamente.

  • ART ausente ou de profissional não habilitado. Memorial descritivo e plano de pesquisa sem responsabilidade técnica válida não são aceitos.

  • Documentação pessoal incompleta. Falta de comprovante de nacionalidade ou CPF inválido são motivos recorrentes de exigência, atrasando o processo.

Perguntas frequentes

Preciso de um geólogo para abrir um processo de pesquisa mineral?

Sim, para o regime de Autorização de Pesquisa. O memorial descritivo e o plano de pesquisa exigem ART, que só um profissional registrado no CREA pode emitir. A PLG tem exigência técnica mais simples, mas ainda assim recomendada.

Quanto custa abrir um processo de pesquisa mineral na ANM em 2026?

Emolumento fixo de R$ 1.352,54 mais a TAH de R$ 4,94 por hectare ao ano, além do custo do profissional técnico responsável pela ART, memorial descritivo e plano de pesquisa.

Quanto tempo demora até sair o alvará de pesquisa?

De 1 a 3 semanas de preparação, mais entre 5 semanas e 2 meses e meio de análise da ANM em processos sem conflito, podendo passar de 6 meses a mais de um ano havendo sobreposição de área ou exigência.

O que acontece se a área tiver sobreposição com outro processo?

A ANM aplica prioridade por ordem de protocolo. Sobreposição total a um processo anterior tende a levar ao indeferimento, salvo anuência do titular anterior: por isso a checagem prévia de área livre é essencial.

O que preciso fazer depois que o alvará é concedido?

Iniciar os trabalhos de pesquisa em até 60 dias da publicação no DOU (art. 29 do Código de Minas), cumprir a comunicação de início de pesquisa, e manter a TAH em dia a cada novo período de vigência.

Não quer conduzir esse processo sozinho?

A gente cuida da abertura, do zero até o alvará.

Verificamos se sua área está livre, indicamos o profissional técnico, organizamos a documentação e protocolamos o requerimento por você, a partir de R$ 3.500.